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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ARMANDO

Nasceu em Parnaíba (PI), 29/04/1915. Pais: Fausto Fernandes Basto e Rosina Amélia Basto. Estudos secundários na terra natal. Bacharel pela Faculdade de Direito do Maranhão (1938). Advogado. Desempenhou altas funções no Departamento Nacional do Café, na Fundação da Casa Popular e na Companhia Nacional de Álcalis. Estudioso dos processos históricos e sociais. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí, em cuja revista colaborou. Trabalhou em "O Imparcial", de São Luís, e em "O Jornal", do Rio. Redator e diretor-geral da Agencia Nacional. Do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal. Na primeira administração Alberto Silva, prestou extraordinários serviços culturais ao Piauí, como chefe da Assessoria do Governo do Estado (1971/1975). Desconhecia cansaço, obstáculos, dificuldades nos afanosos esforços de projetar o livro e a arte da sua terra natal. "Se é para ajudar não arrepio estrada" - sustentava. Foi o inspirador e o grande animador do Plano Editorial do Estado, que publicou 40 obras de autores piauienses vivos e mortos. Estimulou e apoiou notáveis solenidades literárias e foi o principal responsável por substancial cooperação com a Academia Piauiense de Letras. Incentivou as letras e as artes. Sugeriu e realizou concursos literários. Como presidente do Conselho Estadual de Cultura, promoveu inesquecíveis solenidades, como as que foram dedicadas a memória de Rui Barbosa, com a participação da Casa de Rui Barbosa do Rio, e da neta do imortal baiano.

Armando Basto foi sobretudo jornalista. Realizou jornalismo objetivo, de clareza meridiana, num estilo personalíssimo, palavras de rigorosa propriedade, expressões constitutivas de segura comunicação, idéias límpidas, nobres. Jornalista estrênuo - disse dele Vidal de Freitas. Escreveu como poucos, com segurança, asseio de linguagem, ao correr da pena, sobre qualquer assunto. Narrou e interpretou da mesma forma que descreveu e dissertou - aprumadamente, fiel à verdade. Racional em tudo. O seu modo de dizer esteve inconfundível. Seco, não enfeita. Expressa-se sem excessos, sem sobras, mas igualmente sem lacunas. Poe no papel o estritamente necessário ao entendimento. Tem estilo cientifico, confessa J. Miguel de Matos.

Inteligência poderosa a serviço do jornalismo. Angustiado para projetar alheia arte, arredio de recompensas.

Pertenceu à Ordem do Mérito Renascença do Piauí. Exerceu funções da mais alta responsabilidade na Secretária de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, onde depois se tornaria chefe do serviço de comunicação da Itaipu binacional, exonerando-se do cargo em 1986, quando voltou a Teresina para a campanha eleitoral da candidatura de Alberto Silva ao governo do Estado. Com a posse do candidato vitorioso, foi nomeado titular da Secretaria de Comunicação, lugar em que o colheu a morte a 20 de setembro de 1988, verificando-se o sepultamento na cidade natal no dia seguinte. Pertencia a Academia Piauiense de Letras, cadeira 27.

Chamava-se Armando Madeira Basto. Faleceu a 20 de setembro de 1988, sepultando-se no dia seguinte em Parnaíba.


A. Tito Filho, 23/09/1988, Jornal O Dia

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

LIBERDADE

Cláudio Pacheco foi dos mais notáveis incentivadores da vida jornalística do Piauí. Fundador do jornal "O Tempo", que inaugurou o serviço de reportagem dinâmica, viva, em Teresina. Dele a criação da Associação Piauiense de Imprensa, em 1933, que alcançou grande prestígio. No I Congresso de Imprensa do Piauí, iniciativa sua em 1933, apresentou a tese LIBERDADE DE IMPRENSA, COMPREENDENDO CENSURA E ÉTICA JORNALISTÍCA, documento raro que ora transcrevo pelo brilho e oportunidade:

"O principio de liberdade de imprensa é um axioma no conjunto de idéias que justificam os movimentos de associação de jornalistas. Para a imprensa, a necessidade de livre pronunciamento liga-se até com o instinto de conservação e o interesse de desenvolvimento. Um jornal limitado na sua liberdade quanto ao desembaraço do noticiário e à sinceridade das opiniões, sobretudo nos casos em que estas são manifestadas com um sentido doutrinário, está irremediavelmente condenada à mais completa ineficácia no esforço de empolgar as preferências e atenção do público - esforço que é uma verdadeira função vital. A preferência do público é a única via de prosperidade para o jornal, somente pela ampliação do seu raio de influencia, como pelo desenvolvimento industrial.

Assim, mesmo fora das cotações da doutrina liberal e no puro terreno da eficácia e interesse industrial, a liberdade de imprensa é condição vital para o progresso do jornal. A limitação desta liberdade não pode ser aceita, pois, numa reunião de jornalistas que se propõem a trabalhar em prol do desenvolvimento do periodismo. E sob este aspecto, a censura de imprensa preventiva e policial constitui uma das mais rudimentares formas de limitações. Seria preferível a velha fórmula da sanção penal, acrescendo aos recursos punitivos o de multas contra as empresas proprietárias de jornal. É lógico que está sanção deverá ter por fim somente a repressão aos abusos, que devem ser considerados um mal tão grande quanto a opressão. A única aplicação das penas de prisão não trouxe resultados satisfatórios, porque resultou em serem os réus transformados em mártires, compensados da sua privação de liberdade por uma auréola de simpatias sentimentais. O concurso das duas penalidades a de prisão e a de multa, daria ótimos resultados na repressão legal e judiciária ao abuso de imprensa, que, como ficou dito, é igualmente condenável, principalmente nas suas formas de falsificação de noticias, de agressão à honra pessoal e provocação de escândalos em torno de instituições de créditos e de reputações alheias. A imprensa deve respeitar, quanto possível, o recesso do lar, o reduto da dignidade pessoal e o interesse do crédito comercial legítimo.

De acordo com o que ficou dito, propõe-se que o Congresso da Imprensa Piauiense aprove as seguintes conclusões:

Os jornalistas piauienses manifestam decididamente a sua opinião favorável à liberdade de imprensa, sem outra restrição que aquela que for estabelecida em lei, no objetivo de reprimir os abusos por meio de penalidade de aplicação judiciária, tanto de prisão contra as empresas jornalísticas. Outrossim, condenam a falsificação de noticias, a interferência do jornal em assuntos domésticos, o atentado contra dignidade pessoal e contra o crédito comercial e industrial legítimo.

Fica proibido aos sócios da Associação Piauiense de Imprensa o exercício da função de censor, bem como qualquer função policial repressiva, sob pena de eliminação, o que deverá ser consignado nos Estatutos".


A. Tito Filho, 11/06/1988, Jornal O Dia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ASSOCIAÇÃO

Vitorioso o movimento popular de 1930, o Piauí ingressou no regime das interventorias. Durante alguns anos de firmaram duas grandes expressões do jornalismo piauiense - Artur Passos, que deu nova e brilhante orientação ao Diário Oficial, e Cláudio Pacheco, fundador de "O Tempo", em que se introduziu o serviço de reportagem, pela primeira vez, na imprensa de Teresina. O órgão dos poderes públicos tinha aspecto gráfico excelente e agasalhava noticiário telegráfico nacional, noticias locais de interesse coletivo, poesia e prosa, atos do governo e luminosas sentenças e acórdãos de juizes e do Tribunal de Justiça, abrilhantado ainda por seguras apreciações literárias, sobre livros e autores. O jornal de Cláudio Pacheco tinha feição moderna, bem redigido, amplamente noticioso, sem que deixasse de lado a política partidária e o teor educacional dos seus comentários. Dois grandes jornalistas - Artur e Cláudio - mereciam admiração e aplausos. Um deles, o segundo, alcançaria triunfos constantes nas pelejas intelectuais, constitucionalista famoso, poeta, romancista, ainda hoje projeta o Piauí nas altas esferas da República. O outro, falecido, deixou rica produção literária sobre homens e fatos de nossa terra.

Cláudio idealizou a primeira entidade "destinada a promover a união e estreitar os laços de solidariedade entre todos os jornalistas piauienses". A 31 de janeiro de 1933, em Teresina, de noite, reuniu-se ele a Frederico Schimitd, Leopoldo Cunha, Heráclito Sousa, Benedito Lemos, Álvaro Ferreira, Baurélio Mangabeira, Antônio Neves e Antônio Freitas, representando-se Ribeiro Gonçalves e Martins Napoleão – e deliberaram fundar uma sociedade de imprensa destinada à defesa dos que militavam na imprensa. Iniciava-se o jornalismo profissional, pois alguns repórteres e redatores já recebiam paga minúscula pelo trabalho desenvolvido, numa época em que ainda ao menos se sonhava com a legislação trabalhista.

O grêmio fundado teve o nome de Associação Piauiense de Imprensa, de que se aclamou diretoria provisória, constituída de Cláudio Pacheco (presidente), Heráclito Sousa (vice), Antônio Neves (1º secretário), B. Lemos (2º secretário) e Álvaro Ferreira (tesoureiro). Vivo, apenas o primeiro.

A prestigiosa API empolgou os jornalistas dessa brilhante fase da imprensa piauiense, sob liderança de Cláudio Pacheco, que a 18 de junho desse ano de 1993 propôs que se convocasse um congresso de jornalistas, "a fim de melhor intensificar o movimento associativo iniciado pela API e tornar mais eficiente a sua atuação como órgão defensor dos direitos e dos interesses e aspirações dos militares na imprensa".

Duradoura a atividade da Associação Piauiense de Imprensa, a que se filiaram os mais destacados jornalistas do Estado, da capital como do interior. Terminou os seus dias de triunfo com o retorno do Piauí às peiticas do partidarismo enervante e mais perverso do que nas épocas antigas.


A. Tito Filho, 13/04/1988, Jornal O Dia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

IMPRESSÕES

Presenciei episódios em que se envolveram Eurípedes e gente que com ele não simpatizava, a exemplo de Edgard Nogueira e Humberto Reis da Silveira - casos de desfechos gozados. Raros jornalistas e homens públicos conheci com tanto humor, tanto sal do espírito, a serviço de fina ironia e contundente sarcasmo. Mas nele coexistiram a honestidade, o brio, o destemor, a paixão de idéias nobres. Honrou os cargos que lhe foram confiados, pelo voto ou pela vontade de governadores.

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Vários companheiros de luta participaram da vida de Eurípedes, como Ofélio Leitão, uma das penas mais fortes e admiradas da imprensa piauiense, pelo asseio da frase, expressão bem construída, afirmação de coragem. Dono de boa e séria leitura. Professor culto, antigo procurador geral da Justiça, faz anos exerce funções advocatícias no Banco do Brasil, a que dedica honestos conhecimentos jurídicos. Cidadão simples, de palestra alegre e jovial, muito amigo do próximo, bondoso com os pequenos, de humanos pecados, da forma que se revelam os construídos do barro bíblico, proprietário, entretanto, de um bocado de virtudes espirituais.

Com os recursos da cabeça, que nele guarda inteligência cultivada e vasto e assimilado conteúdo humanístico, conquistou, numa disputa sem falhas, o justo prêmio da cadeira nº 14 da Academia Piauiense de Letras.

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Nesta conferencia, Ofélio revela-se sóbrio e fiel estudioso dos caracteres humanos. Faz retrato histórico do amigo e companheiro de embates políticos e jornalísticos. Focaliza o ambiente passional em que os fatos se desenvolveram, a constelação familiar do homenageado, os modos de fazer jornal na época - e em tudo põe o olho da verdade, que ele quis e conseguiu prezar acima de tudo, embora a distancia dos anos ainda seja pequena para apagar o fogo dos peitos inflamados pelos entrechoques das odiosidades malsãs do partidarismo sem freio.

Parece que no trabalho se casam, sob as bênçãos de lições de saber, o estudioso e o presenciador dos episódios, ora ricos de valentia cívica, ora graciosos, como se inspirados na verve inconfundível dos franceses.


A. Tito Filho, 22/11/1988, Jornal O Dia.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O SEMANA

Antônio Lemos foi das maiores vocações de lutador da imprensa piauiense, de coragem exemplar no ardor das campanhas que empreendia. Antônio Lemos, o Semana, como era conhecido, gozou de grande admiração e respeito, pela firmeza com que defendia convicções e pela inabalável posição de defesa dos ideais de liberdade do jornalismo. Nada receava, nem jamais desertou da tribuna de luta.

Colheu-o a morte aos 78 anos incompletos, pois nasceu no dia 24 de novembro de 1889.

Foi, durante alguns anos, guarda-livros de várias firmas desta capital, transferindo-se em 1917, para Floriano, onde fundou o jornal "Cidade de Floriano". Regressou a Teresina em 1921, retornando às atividades contábeis.

Em 1930 criou "A Liberdade", com Leão Marinho e Nonato Marinho, jornal que sustentou luta até a queda do governo de Humberto de Areia Leão. Residiu na antiga Flores, hoje Timon, fundando a "Gazeta de Flores", com os filhos Alberoni e Alborina. Ao tempo da revolução de São Paulo, 1932, foi preso pela policia do interventor Landri Salis, readquirindo a liberdade após 19 dias de encarceramento. Em 1935, ainda com Leão Marinho, fez circular "O Libertador". Surgiu em 1937, sob sua orientação, o "Almanaque Piauiense". Posteriormente, com Alberoni e o irmão Prof. B. Lemos, transformou o semanário "Gazeta" em órgão diário, fechado em 1944, durante o período ditatorial do presidente Vargas. Foi um dos fundadores de "O Pirralho". Passou a residir no Rio de Janeiro a partir de 1949, sempre escrevendo na imprensa de sua terra como correspondente do jornal "A Luta", fundado por Tito Filho, Alberoni Lemos e Fabrício de Areia Leão.

Com a morte de "velho Semana" - o admirável e corajoso Antônio Lemos - perdeu o Piauí uma notável figura de sua imprensa, criador de jornais, fazedor de jornais, conhecedor de todos os segredos das oficinas e da redação jornalísticas.

Ao tempo do 1º Centenário de Teresina, brindou a nossa História com este notável estudo sobre o vigário Mamede, o primeiro sacerdote que celebrou missa na Chapada do Corisco e depois quando da inauguração da igreja do Amparo.


A. Tito Filho, 04/09/1988, Jornal O Dia. 

domingo, 29 de agosto de 2010

JORNALISTAS

Breno Pinheiro nasceu em Barras (PI), 1899, e faleceu no Rio, 1957. Integrou-se de começo na capital paulista, como jornalista. Criou o primeiro sindicato da classe. Trabalhou em "O Estado de São Paulo". Passou ao Rio de Janeiro como redator do "Jornal do Brasil". Tinha a frase leve, elegante e atraente.

Álvaro Alves Ferreira era de Piripiri (PI), onde nasceu em 1893. Morreu em Teresina, 1963. Dentista, profissão que trocou pelo magistério. Viveu muitos anos na capital piauiense. Professor de francês e geografia. Diretor do antigo Liceu Piauiense. Mestre acatado. Destacou-se mais como jornalista combativo. Redator de vários órgãos de imprensa. Linguagem brilhante. Também fez crítica literária e escreveu crônicas de estilo claro. Publicou "Da Terra Simples", de estudos do meio piauiense.

Honório Portela Parentes nasce em Colônia de São Pedro de Alcântara, hoje Floriano (PI), 1882, e faleceu em Caxias (MA), 1909. Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia. Trabalhou no antigo Asilo dos Alienados de Teresina. Tinha grande capacidade de defender as próprias idéias. Jornalista de grande cultura, tomou parte da luta politico-religiosa que se travou na capital piauiense. Incorreu no desagrado de muitos. Polemista e critico. Exímio cultor da língua vernácula, tinha estilo elegante. Publicou a tese chamada "Vacina e Vacinação contra a Varíola", em que defende a descoberta de Jenner.

Deolindo Mendes da Silva Moura nasceu em Oeiras (PI), 1855. Faleceu em Teresina, 1872. Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife. Fixou-se na capital piauiense. Orador eloqüente. Advogado famoso. Foi, sobretudo, jornalista. Redigiu e criou jornais, gastando a fortuna herdada em campanhas eleitorais. Três vezes deputado provincial. Padeceu perseguições que o mataram ainda jovem. Não publicou nenhum livro. Seus artigos notáveis talvez tenham desaparecido nos jornais. Esbanjava talento.

Heitor Castelo Branco nasceu em Teresina, 1875, e faleceu no Rio de Janeiro, 1952. Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife. Professor. Procurador da República no Piauí, fundando e dirigindo jornais na capital piauiense. Em 1910, fixou-se no Pará. Chefe da Segurança de Belém. Diretor do Liceu Paraense. Professor da Faculdade de Direito do Pará. Deputado estadual. Fundador de "O Diário". Deputado Federal. Regressando ao Piauí, elegeu-se deputado federal. Procurador geral do Estado. Novamente no Pará, presidente do Departamento Administrativo dessa unidade federativa. Jurista, orador, dominava o vernáculo. Recusou o governo dos dois Estados por motivos de lealdade. Exerceu com nobreza as funções que lhe foram confiadas. Praticou mais do que tudo um jornalismo culto e corajoso.

OBSERVAÇÃO. Último domingo, escrevi aqui neste meu lado de esquerda que mataram Lampião na madrugadinha de 28 de julho. Mas saiu 29. Coleguinhas da revisão, o troço se deu a 28, dezena do carneiro no jogo do bicho.


A. Tito Filho, 02/08/1989, Jornal O Dia.