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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ARIMATHÉIA

Nasceu em Barras (PI), 1887, e faleceu em Teresina, 1963. Pais: Silvestre Tito Castelo Branco e Rosa Amélia de Castro Tito. Estudou no Liceu Piauiense. Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife (1908). Juiz Distrital de Piripiri (PI), onde fundou colégio. Promotor e juiz de sua terra natal. Afastou-se do juizado para trabalhar em Teresina junto ao governador Miguel Rosa, época em que dirigiu o jornal "O Piauí". Em Barras, foi fundador, diretor e professor do Ateneu São José.

Transferido do juizado de Barras para Floriano, não chegou a assumir a comarca, pois logo outro decreto o removeu para Teresina. Juiz de Menores.

Fundada a Faculdade de Direito do Piauí foi escolhido como professor de Direito Civil, passando depois a catedrático. De rara dedicação ao ensino.

Pertenceu ao Tribunal Regional Eleitoral. E em 1938 passou a desempenhar o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí. Antes, 1935, recebeu honrosa designação do Presidente da República para Juiz Comissionado do Estado de Sitio no Piauí, cargo em que ouviu os acusados de atividades comunistas. Seu espírito retilíneo evitou que se praticassem injustiças contra inocentes.

Publicou o livro de estudos jurídicos "Justiça Nacional" e uma memória sobre Esmaragdo de Freitas com título "Um Cidadão Digno".

Pertenceu à antiga Associação Piauiense de Imprensa. Era estudioso constante do Direito e da Sociologia.

De caráter adamantino, de rara austeridade na judicatura, consciência de autêntico julgador, nunca teve, como juiz, sentença reformada por qualquer tribunal.

Jornalista e professor, duas atividades que tanto o encantavam, abraçou-se a outra, a de orador, visando à conquista de outra tribuna, da qual pudesse espargir lições, com o domínio da palavra fácil e atraente.

Cultuou o direito, a lei, a justiça, a serviço da sociedade.

Nele ainda o poeta do sentimento, do amor, da natureza dos namorados, da realidade dos amuos conjugais, da saudade, da despedida, das paixões que chegam, das emoções que tumultuam.

A seu respeito escreveram:

- Martins Vieira: "Jurista de escol, professor convicto e poeta espontâneo, era a oratória o seu campo de luta preferido, parecendo possuir o fôlego de Mirabeau, o olhar cinzento do saxão e o facies beethoveniano".

- Fontes Ibiapina: "Cultura sólida. Nas letras jurídicas, um baluarte intransponível; nas letras profanas, uma estrela da primeira magnitude".

- Fabrício de Arêa Leão: "As poesias que ele legou à posteridade são belas, escorreitas e límpidas, com acentos místicos e musicalidade envolventes".

- Edison Cunha: "Bela voz, ora calma, ora inflamada, gesticulação comedida e adequada, apresentando elegância no porte, assim é o professor na cátedra da Faculdade de Direito, o magistrado culto, doutrinando no tribunal, ao sustentar o voto com o brilho que lhe empresta a abundancia de conhecimentos jurídicos; o intelectual, o homem de letras, no discurso ou na conferência afinada aos mais rigorosos torneios da frase tersa e burilada com estesia, para delicia e encantamento dos que o ouvem".

Chamou-se José de Arimathéia Filho.


A. Tito Filho, 23/08/1988, Jornal O Dia

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