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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ARTUR

Nasceu em Jerumenha (PI), a 3 de agosto de 1882, havendo completado, neste ano de 1977, 95 anos de idade. Pais: Raimundo Nonato de Araújo e Maria Madalena de Araújo Passos. Desde muito jovem residiu em Teresina, onde começou a vida como caixeiro. Voltou a Jerumenha depois que o pai morreu. Em princípios de 1898, seguiu para Manaus. Aí ingressou na Policia Civil (escrivão), iniciou também atividades jornalísticas, como repórter.

As saudades da terra e da família impeliram-lhe o regresso a Jerumenha. Festivamente recebido. Depois, fixou-se na capital piauiense: secretário da Prefeitura, administrador do matadouro, Diretor da Imprensa Oficial durante 11 anos. Secretário particular do interventor Vitorino Correia. Chefe da Casa Civil do interventor Teodoro Sobral. Secretário da Bolsa de Valores.

Candidato a prefeito de Jerumenha, obteve fácil vitória. Realizou administração profícua e honesta: escolas, luz elétrica, praças, campo de aviação, auxílio a lavradores, estradas.

Membro do Congresso de municípios em Teresina e Petrópolis (RJ). Neste último apresentou trabalho de grande valor sobre autonomia municipal, elogiado por todos os participantes - trabalho depois publicado.

Em seguida, vereador de Teresina, mais de uma vez, desempenhando o mandato com consagrado espírito público.

Publicou: "História, Economia e Lendas", "Conceito Político-Social do Município", "Dois vultos piauienses", em que estuda as personalidades de Clodoaldo Freitas e Manuel de Sousa Martins (visconde da Parnaíba); "Lendas e Fatos" (crônicas do rio Gurguéia); "Esboço de um perfil", magistral estudo sobre Higino Cunha; "Folclore Piauiense", "Abdias Neves - homens e eventos de sua época" e "Nas Ribas do Gurguéia".

"Guardou sempre, porém, com avareza de rico, os velhos tesouros espirituais de aspirações literárias, de imaginação e de fecundas memórias de remota vida aldeã. E quando a idade avançando veio restaurar e redobrar o foco dessas memórias, sob o fadário crepuscular de só rejuvenescermos pelas recordações dos rincões distantes e dos deleites da vida principiante, ele empreendeu o regresso literário a velha aldeia. Este livro (Lendas e Fatos) é a devolução afetiva de Artur Passos a gleba inesquecível. O denso fluxo emotivo desta devolução alteou-lhe a inspiração e reverdeceu-lhe o estilo, para que assim remoçado pudesse ele reviver, com sabor nostálgico, os aspectos, as imagens e episódios vivos e significativos da geografia humana e social do vale do rio Gurguéia" sobre o livro citado expressou a fulgurante inteligência de Cláudio Pacheco.

Fontes Ibiapina, considerou-o dum linguajar diáfano, dum estilo transparente.

Vidal de Freitas chamou-lhe contista exímio.

O filho talentoso (Hélio Passos) fez-lhe admirável retrato no livro "Minhas Memórias de Meu Pai", de que se destaca este trecho: "Enfim, um altruísta. Um pai com açúcar. Superando o conceito de que o homem é feito para viver a vida e não compreendê-la, ele tem o poder de realizar uma cousa e outra. Sua ternura pela família e pelos amigos é qualquer cousa de sobrenatural. Só que não proclama isso, temendo vulgaridade". A respeito desse livro A. Tito Filho anotou: "Tenho que notável em Artur Passos, e que você ficou admiravelmente, é a lição de infância que Manuel Bandeira contou - aquele espírito de infância capaz de criar, como disse Barnanos. Toda criança atrai, todo varão solene faz bocejar - é eloqüente verdade que sustentou Afonso Arinos. O segredo de Artur Passos está na infância, na ausência do espírito de velhice".

Uma das maiores figuras do jornalismo piauiense, deu vida e alma ao "Diário Oficial" do Piauí durante anos. Modernizou-o. Tornou-o lido pela comunidade teresinense. Chamou-se Artur de Araújo Passos.


A. Tito Filho, 18/08/1988, Jornal O Dia

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